DEFINIÇÃO NACIONAL DE CASO DE AIDS EM ADULTOS

DEFINIÇÃO NACIONAL DE CASO DE AIDS EM ADULTOS

 

JUSTIFICATIVAS

I. Linfócitos T CD4+ /CD8+ ß 350 células/mm3 como definidora de AIDS:

        A determinação dos linfócitos T CD4+ nos pacientes infectados pelo HIV tem sido utilizada ao longo dos últimos 10 anos como marcador da severidade da imunodeficiência, resultante da progressiva destruição dos linfócitos pela replicação viral. A significativa associação entre presença de contagem de CD4+ ß 200 células/mm3 e ocorrência de manifestações clínicas de AIDS é hoje inquestionável. O CDC revisou os parâmetros utilizados na classificação para infecção pelo HIV e expandiu os critérios para definição de Caso de AIDS, acrescentando 3 condições indicativas de imunodeficiência: TB pulmonar, PN recorrentes e câncer cervical invasivos; que por sua vez, foram acompanhadas da inclusão da contagem de linfócitos T CD4+ em sangue periférico. Em conseqüência desse novo sistema de classificação, que define como paciente de AIDS um indivíduo cuja contagem de linfócitos T CD4+ é ß 200 células/mm3, observou-se um impacto significativo no aumento de 75% sobre o número de casos notificados da doença, nos EUA. Estabeleceu-se que pacientes com inversão da relação T CD4+/CD8+ , com T CD4+ ß 500 células/mm3 sem a utilização de medicação anti-retroviral combinada, dificilmente recuperariam níveis de contagem superiores a este limite. Assim sendo, consideradas as condições de disponibilidade de realização de rotina da contagem de linfócitos T CD4+ , para efeito de definição de Caso de AIDS, uma contagem de CD4+ ß 350 células/mm3, por si só, já define um caso de AIDS.

 

II. Carcinoma cervical invasivo como doença indicativa de AIDS

        Os dados epidemiológicos dos últimos anos têm demonstrado uma incidência crescente e progressiva de infecção pelo HIV na população feminina, sendo que a maior parte dos casos notificados da doença, que constitui importante causa de morbimortalidade entre as mulheres, está associada à via de transmissão heterossexual.

        A evolução clínica da displasia cervical também está diretamente associada ao grau de imunodeficiência subjacente. Em mulheres infectadas pelo HIV, as lesões de NIC são mais recorrentes após o tratamento, quando comparadas às HIV-negativas, e também estão relacionadas ao grau de imunodeficiência subjacente. Finalmente, a resposta ao tratamento do câncer cervical invasivo em mulheres infectadas pelo HIV é insatisfatória, com recidivas freqüentes e precoces, e baixa sobrevida.

        O câncer cervical invasivo é uma doença definidora de AIDS mais apropriada que a displasia cervical e o carcinoma in situ, pois estas lesões são muito mais freqüentes e, na sua maior parte, não progridem para doença invasiva, o que dificulta o seu Dx, e conseqüentemente, a sua importância enquanto doença indicativa de AIDS. O câncer cervical uterino é uma doença definidora de AIDS relevante, possivelmente a mais freqüente neoplasia relacionada à AIDS em mulheres sob situação de risco, tanto para a infecção pelo HIV quanto pelo HPV. Ademais, sendo o carcinoma invasivo de colo uterino uma doença passível de prevenção, e em havendo o reconhecimento precoce e o tratamento adequado das lesões precursoras desta neoplasia, a sua inclusão como doença definidora de AIDS assume um valor estratégico fundamental para a evolução da assistência à saúde da mulher, na medida em que enfatiza a importância do cuidado ginecológico como parte integrante do atendimento médico à portadora do HIV.

 

CRITÉRIO CDC MODIFICADO

        Será considerado Caso de AIDS, todo indivíduo que apresentar evidência laboratorial de infecção pelo HIV, independentemente da presença de outras causas de imunodeficiência, no qual seja Dx pelo menos 1 doença indicativa de AIDS:

 

Notas explicativas:

        A coccidiomicose foi excluída da lista de doenças indicativas de AIDS para o Critério CDC Modificado, por ser um evento raro no Brasil.

 

DOENÇAS INDICATIVAS DE AIDS PARA AS QUAIS TAMBÉM É ACEITO O Dx PRESUNTIVO:

 

CRITÉRIO RIO DE JANEIRO/CARACAS

        Será considerado Caso de AIDS, todo indivíduo que apresentar evidência laboratorial de infecção pelo HIV e pelo menos um somatório de 10 pontos, de acordo com a seguinte escala de sinais, sintomas ou doenças:

        Doenças PONTOS

 

Notas explicativas:

 

3. CRITÉRIO EXCEPCIONAL CDC

        Será considerado caso de AIDS todo indivíduo, com teste laboratorial para o HIV não realizado ou de resultado desconhecido e que, eliminadas outras causas de imunodeficiência, apresentar pelo menos 1 das seguintes doenças indicativas de AIDS, Dx definitivamente:

 

5. CRITÉRIO EXCEPCIONAL ARC + ÓBITO

        Será considerado caso de AIDS todo indivíduo com evidência laboratorial de infecção pelo HIV e manifestação de alguns sintomas próprios do complexo relacionado à AIDS (AIDS Related Complex, ARC), e que for a óbito por causa não-externa. São sintomas de ARC:

 

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