Febrasgo

Febrasgo: Gestante HIV Positiva

 

        Esta crescente "feminização" da infecção pelo HIV se deve principalmente à transmissão heterossexual, atingindo grande número de mulheres em idade reprodutiva. Conseqüência alarmante é o fato de que 90% dos casos de AIDS pediátrico no Brasil são decorrentes da transmissão vertical.

        Atualmente, a sorologia para HIV é oferecida para todas as gestantes, no início do pré natal. Os exames devem ser repetidos, quando negativos, no 3o trimestre, quando existe caracterização dos fatores de risco. A soroprevalência da infecção pelo HIV na população obstétrica, no estado de São Paulo, varia de 0,1 a 3,7%.

        Na prática diária, o Dx é feito através de teste de Elisa, realizado através de 2 kits diferentes e 1 teste confirmatório, por Western Blot ou por IFI.

 

Influências da infecção pelo HIV sobre o ciclo gravídico-puerperal

        Diversos trabalhos mostram aumentar incidência de abortamento, prematuridade, amniorrexe prematura, mecônio, RCIU, óbito fetal e infecção puerperal, principalmente quando a gestante se encontra em estadio clínico avançado e com comprometimento imunológico maior.

 

Assistência Pré-Natal

        As consultas de rotina são feitas mensalmente até a 32a semana, quinzenalmente entre a 32a e 36a semana e semanalmente após a 36a semana.

        Avaliação clínica pelo infectologista segue a rotina de qualquer paciente HIV+, com estadiamento clínico e imunológico, terapêutica antiretroviral, profilaxia de infecções oportunistas quando indicada, principalmente para P. carinii. O tratamento antiretroviral da mãe é semelhante ao da mulher não grávida, baseado na carga viral, CD4 e estadiamento clínico, sempre avaliando riscos e benefícios. A avaliação deve incluir US, provas de vitalidade e de maturidade fetal, evitando sempre procedimentos invasivos.

        Intercorrências ginecológicas são freqüentes, em especial vulvovaginites, HPV, NIC, sendo importante o exame da genitália externa, especular, CO e colposcópico.

        A propedêutica laboratorial, além da rotina do pré natal de baixo risco, deve incluir exames de avaliação imunológica (carga viral, CD4, CD8 ), função renal e hepática (retrovirais), sorologia para toxoplasmose, rubéola, CMV, HSV, hepatites, TB (PPD) e DST (lues, gonorréia, clamídia, micoplasma, HPV). De forma geral, são realizados mensalmente hemograma e provas de função hepática (TGO, TGP, bilirrubinas e fosfatase alcalina), e cada 2-3 meses, os de estado imunológico (carga viral e CD4 ). Se os testes sorológicos para infecções (em especial lues) forem negativos na 1º consulta, devem ser repetidos a cada 3 meses.

 

Medidas para redução da taxa de transmissão vertical na gestação.

 

Parto

        Existem controvérsias sobre qual a melhor via de parto para a gestante HIV+. Vários trabalhos na literatura mostram diminuir transmissão vertical em RN de CST, quando comparada aos de parto vaginal, mas sem avaliar adequadamente as demais variáveis, como o estadiamento clínico materno. Medidas para diminuir a transmissão vertical durante o trabalho de parto (vaginal ou CST):

 

Puerpério

        O aleitamento materno é uma das formas de transmissão vertical do HIV. Este risco, de 14%, é maior se a infecção materna for aguda e recente (transfusão de sangue no parto), na presença de fissuras, viremia materna, estádio clínico avançado. A orientação para as puerperas HIV+ é não amamentar.

        Para diminuir o risco de transmissão vertical no pós-parto, além de se contra-indicar o aleitamento materno, preconiza-se, também, remoção imediata de sangue e secreções em contato com a pele e mucosas do RN.

 

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