Fisiologia Ovariana

Fisiologia Ovariana

        A gônada feminina sofre profundas alterações desde a vida embrionária até a menopausa. Na 5º semana, as células germinativas primordiais migram do saco vitelino até a crista gonadal. As divisões mitóticas cessam na 7º semana de vida embrionária, quando a população total de células germinativas já está definida, passando a serem denominadas oócitos. Essas células permanecem em estágio de prófase da 1º divisão meiótica, cujo processo pode perdurar até a proximidade da menopausa.

        O subseqüente declínio na população de oócitos é decorrente de 2 mecanismos: ovulação e atresia folicular.

        O número máximo de células germinativas no ovário fetal, alcançado na 20a semana, tem sido estimado entre 6 e 7 milhões, declinando rapidamente para 2 milhões de oócitos por ocasião do nascimento.

        Até a menarca, o fenômeno de atresia diminui ainda mais essa população, fazendo com que a mulher inicie a sua vida reprodutiva com 400.000 oócitos.

        O oócito primário detido no estágio de prófase da 1º divisão meiótica completará a sua evolução graças ao pico de LH pré-ovulatório, quando se verifica a extrusão do primeiro corpúsculo polar, e assim alcança o estágio de metáfase.

 

Fase Folicular

Na fase folicular destacam-se três eventos.

1. Recrutamento

        Esse termo caracteriza a gonadotrofina-dependência do folículo (fase de crescimento rápido). O recrutamento começa ao final da fase lútea do ciclo prévio. O mecanismo é pouco conhecido, mas depende basicamente da atuação de fenômenos parácrinos no parênquima ovariano.

 

2. Seleção

        Indica a redução final do tamanho da coorte no processo ovulatório, levando um grande número de folículos à atresia. E a culminação do recrutamento e o momento no qual a influência de um foIículo único condiciona um ambiente onde somente ele poderá amadurecer e atingir a postura ovular.

 

3. Dominância

        É o intervalo de crescimento que sucede a seleção e precede a postura ovular. O folículo que mais rapidamente adquire aromatase e receptores FSH torna-se dominante. O eixo hipotálamo-hipofisário requer níveis de 200pg/ml de l7b -estradiol, por um período mínimo de 36h, para descarregar um pico de LH suficientemente capaz de detonar a postura do óvulo.

 

Postura Ovular

        O mais significativo marcador é o pico de LH que é precedido de um aumento acelerado de estradiol sérico. A ovulação ocorre 10-12h após o pico, e 36h após o início da onda de LH.

Esse evento garante o prosseguimento da meiose, com a extrusão do 1º corpúsculo polar, tornando o oócito apto a ser fertilizado.

 

Fase Lútea

        A função do corpo lúteo depende, fundamentalmente do desenvolvimento adequado das células da teca e da granulosa durante a fase folicular.

        Essa estrutura endócrina é necessária para manter a gestação, até que a placenta adquira competência para secretar quantidade adequada de progesterona. Estudos utilizando o modelo de receptora em programa de doação de oócitos confirmaram a 8º semana de gravidez como a fase de transição da dominância entre o corpo lúteo e a placenta, na secreção de progesterona.

 

Anovulação

        Os distúrbios da ovulação podem ser conseqüência do comprometimento anatômico ou funcional do eixo hipotalámico-hipofisário-ovariano, associado a distúrbios de glândulas anexas (tireóide e adrenais) ou a alterações do meio ambiente interno ou externo.

 

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