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Funasa: Chagas
Aspectos Epidemiológicos
A Doença de Chagas era uma enzootia que afetava animais silvestres, transmitida por triatomídeos também silvestres. O homem, ao invadir estes ecótopos naturais, possibilitou que os triatomídeos se instalassem em seus domicílios, transformando a tripanossomíase americana em uma antropozoonose.
É uma parasitose exclusiva do continente americano. As medidas de controle adotadas, centradas no combate dos vetores domiciliados, proporcionou a virtual eliminação da principal espécie vetora no país, o Triatoma infestans, modificando consideravelmente a epidemiologia da doença. Casos autóctones, que até recentemente vinham sendo detectados de maneira isolada na Amazônia, vêm
Ý gradativamente nos últimos anos, ao mesmo tempo que espécies de triatomídeos silvestres aproximam-se perigosamente do domicílio humano, o que significa que a endemia pode se expandir geograficamente.
Agente Etiológico
É o Trypanosoma cruzi, protozoário da família Trypanosomatidae.
Reservatórios
Além do homem, mamíferos domésticos e silvestres têm sido naturalmente encontrados infectados pelo Trypanosoma cruzi: gato, cão, porco, rato, macaco, tatu, gambá, morcego.
Os mais importantes epidemiologicamente são aqueles que coabitam ou estão muito próximos do homem. As aves e animais de "sangue frio" (lagartos, sapos) são refratários à infecção.
Modo de Transmissão
A transmissão primária da Doença de Chagas é vetorial, que se dá através das fezes dos triatomídeos, também conhecidos como "barbeiros" ou chupões". Esses, ao picar os vertebrados, defecam após o repasto eliminando formas infectantes em suas fezes e que penetram pelo orifício da picada. Com a
ß densidade triatomídica domiciliar (Triatoma infestans), ß significativamente a transmissão vetorial que, na década de 70, era responsável por 80% das infecções humanas. A transmissão transfusional ganhou importância epidemiológica nas 2 últimas décadas em função da migração de indivíduos infectados para os centros urbanos e da ineficiência no controle das transfusões. A transmissão congênita ocorre, mas muitos dos conceptos têm morte prematura, não se sabendo com precisão qual a influência dessa forma na manutenção da endemia.
Período de Incubação
Quando existe sintomatologia na fase aguda, esta costuma aparecer 5-14 dias após a picada do inseto vetor.
Período de Transmissibilidade
A infecção só passa de pessoa a pessoa através do sangue ou de modo congênito através da placenta. A maioria dos portadores da infecção chagásica tem o parasito no sangue ou tecidos durante toda a vida, sendo que a parasitemia é maior durante a fase aguda da doença. Isto significa que os indivíduos infectados potencialmente são transmissores de doença, caso doem sangue ou órgãos, em qualquer época de suas vidas.
Susceptibilidade e Imunidade
Todos os indivíduos são suscetíveis à infecção. A imunidade humoral é demonstrada pela detecção de anticorpos circulantes nas fases aguda e crônica da infecção. A imunidade celular tem sido imputada como importante no desencadeamento das lesões teciduais das formas crônicas da doença.
Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade
Antes de se iniciar o programa de controle da doença, a maioria dos casos ocorriam na área rural, nos domicílios infestados por triatomídeos. Com a migração, estima-se que muitos dos infectados residem em área urbana.
Insetos Vetores
Por ordem de importância: T. brasiliensis, T. infestans, Panstrongylus megistus, T. pseudomaculata e T. sordida.
Aspectos Clínicos
Destacam-se por sua importância epidemiológica as formas agudas (transmissão ativa), indeterminadas (freqüentes), cardíacas e digestiva (gravidade clínica). Estima-se que as formas agudas se manifestam em 3% dos casos; indeterminadas em 50%; cardíacas em 30%; e as digestivas em 7-8%.
Fase Aguda
Quando aparente, corresponde aos fenômenos clínicos que se estabelecem nos primeiros dias ou meses da infecção inicial, sendo Dx pelo encontro do parasito no sangue periférico. É caracterizada por uma miocardite só traduzível por ECG. As manifestações gerais são de febre (pouco elevada), mal-estar, cefaléia, astenia, hipomexia, edema, hipertrofia de linfonodos. Freqüentemente ocorre hepatoesplenomegalia. Quando existe porta de entrada aparente, ela pode ser ocular (Sinal de Romaña) ou cutânea (Chagoma de Inoculação). As alterações ECG estão na dependência do maior ou menor acometimento do coração. Em geral, as alterações ECG são reversíveis passada essa fase da doença. O Rx tórax pode mostrar coração discretamente
Ý , logo no início do Dx.
Fase Crônica
Forma Indeterminada:
Forma Cardíaca: é a mais importante forma de limitação ao doente chagásico e a principal causa de morte
Forma Digestiva:
Forma Mista:
Forma Congênita:
Diagnóstico Diferencial
Fase Aguda: febre tifóide, leishmaniose visceral, esquistossomose aguda, mononucleose, toxoplasmose. O sinal de Romaña deve ser diferenciado de conjuntivites, edema de Quincke, celulite orbitária; o chagoma de inoculação da furunculose.
Complicações
Fase Aguda:
Fase Crônica:
Tratamento Específico
O objetivo é o de suprimir a parasitemia e seus efeitos patogênicos ao organismo. Esse tratamento está indicado na fase aguda em casos congênitos e na reativação por imunossupressão (AIDS).
Esquemas Terapêuticos
Benzonidazol:
Nifurtimox:
Tratamento Sintomático:
Formas cardíacas:
Formas Digestivas:
Diagnóstico Laboratorial
Parasitológico:
Exame a fresco
Gota espessa
Esfregaço corado
Creme leucocitário
Xenodiagnóstico
Métodos Imunológicos:
Hemaglutinação indireta
Imunofluorescência
ELISA
Os métodos parasitológicos na prática são utilizados para Dx da fase aguda, quando a parasitemia é intensa. As sorologias que detectam IgM também são utilizadas para DX da fase aguda, entretanto só deve firmar Dx de forma aguda com o encontro de parasito no sangue. Na fase crônica, utiliza-se mais freqüentemente os métodos de detecção de anticorpos circulantes.
Vigilância Epidemiológica
A Doença de Chagas no Brasil teve como principal forma de transmissão a vetorial e incidia em grande extensão territorial de forma endêmica, com milhares de indivíduos se infectando anualmente, atingindo uma magnitude que inviabilizava a vigilância sistemática de casos. Naquela época, a intervenção do Ministério da Saúde ficou centrada no combate ao vetor e no estímulo ao controle das transfusões de sangue
ß drasticamente a morbimortalidade por essa infecção. Por outro lado, como as formas crônicas da doença, particularmente as formas cardíacas, não dispõem de tratamento específico, limita-se a da Vigilância Epidemiológica. Os objetivos da vigilância epidemiológica da Doença de Chagas são:detectar todos os casos agudos para a adoção das medidas de controle;
realizar inquéritos escolares visando o conhecimento de áreas onde continua ocorrendo a transmissão vetorial.
dar continuidade ao programa de controle de vetores domiciliares, que deve priorizar a vigilância entomológica exercida pela própria população, de forma contínua, e controlada pela rede de serviços de saúde.
impedir a transmissão transfusional;
impedir a expansão da doença na Amazônia, área considerada indene ou
Notificação
Todos os casos agudos devem ser notificados
Os casos crônicos não são de notificação compulsória
Definição de Caso
Forma aguda
Forma indeterminada
Forma cardíaca
Forma digestiva
Forma mista
Forma congênita
Investigação Epidemiológica
Casos:
Surtos:
Inquéritos Sorológicos
Inquéritos sorológicos em escolares devem ser realizados nas áreas endêmicas por ser uma forma de investigação epidemiológica importante para avaliar os resultados da ação antivetorial e orientar quanto à necessidade ou não de intensificação das ações de controle dos triatomídeos domiciliares.
Vigilância Entomológica
A vigilância entomológica é de fundamental importância para se obter o controle da transmissão vetorial da Doença de Chagas e deve ser contínua com mobilização comunitária em toda a área endêmica e naquelas regiões onde espécies secundárias ensaiam um processo de domiciliação.
Inquéritos Entomológicos
De acordo com a situação epidemiológica da área, inquéritos entomológicos podem ser realizados como parte da investigação de casos, visando elucidar a ocorrência de transmissão ativa e orientar as medidas de controle.
Conduta Frente aos Casos
Forma Aguda
confirmar o Dx
notificação imediata
investigação epidemiológica
adoção de medidas de controle
assistência médica adequada ao paciente
Formas Crônicas
Forma Congênita: realizar tratamento específico e seguimento da evolução para verificar se irá se desenvolver alguma das formas clínicas da doença
Medidas de Controle
Devido ao ciclo de transmissão, as medidas de controle são dirigidas ao combate do vetor e ao controle de qualidade do sangue transfundido.
Controle da Transmissão Vetorial
Melhoria de Habitações
Controle Químico: emprego de inseticidas nas habitações infestadas. Se a espécie é estritamente domiciliar, o objetivo é o da sua eliminação, como é o caso do T. infestans. No caso do Panstrongylus megistus, T. brasiliensis, T. pseudomaculata e T. sordida, o controle a ser alcançado é a manutenção dos intradomicílios livres de colônias, visto que a existência de focos silvestres possibilitam a reinfestação das habitações.
Controle Biológico:
Transmissão Transfusional:
Outras Formas de Transmissão: