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Funasa: Diarréias Agudas
Aspectos Epidemiológicos:
A diarréia, embora reconhecida como importante causa no quadro da morbimortalidade do país, até o presente não teve sua inclusão consolidada com sucesso no Sistema de Vigilância Epidemiológica.
As dificuldades em vigiar as doenças diarréicas decorrem, fundamentalmente, de sua
acima de incidência, da inobservância da obrigatoriedade de notificação de surtos e da aceitação tanto de parte da população leiga, quanto da maioria dos técnicos de que o problema da diarréia é "normal" no Brasil. Os dados disponíveis permitem afirmar que a diarréia é responsável por uma elevada proporção de óbitos abaixo de 5 anos.A diarréia é uma Sd. clínica de etiologia diversificada, caracterizada por evacuações numerosas de fezes pastosas ou aquosas. Com freqüência, é acompanhada de febre e vômitos.
Suscetibilidade e Imunidade
A suscetibilidade é geral, sendo maior em
crianças abaixo de 5 anos. A infecção não confere imunidade.
D
istribuição, Morbidade, Mortalidade e LetalidadeMesmo nas áreas consideradas endêmicas, em certas épocas do ano ocorre tendência de
acima de incidência das diarréias. Esse fato vincula-se principalmente ao acima de temperatura e ao regime das chuvas, cuja conjugação favorece a proliferação e transmissão de agentes.A distribuição da doença diarréica é universal. No entanto, existe uma relação inversa entre sua incidência e boas condições de saneamento e hábitos de higiene. Tal relação pode determinar diferentes comportamentos da doença numa mesma área geográfica, explicando incidências diferenciadas em populações situadas muito proximamente no espaço, mas beneficiadas por diferentes níveis de melhorias sanitárias. Os indivíduos mais afetados são os menores de 5 anos, com maior incidência nos menores de 24 meses, nas áreas mais carentes, e entre os de 24-48 meses, nas áreas mais desenvolvidas.
Dentre os fatores predisponentes citam-se o desmame precoce e a desnutrição, sendo que essa última mantém uma relação de causa e efeito recíproca com a diarréia. Nos adultos, costuma ocorrer em surtos, geralmente por fonte comum (p. ex: água infectada). Por tratar-se de uma doença que costuma ter sua importância subestimada pela população, apenas parte dos casos, geralmente os mais graves, busca atendimento nos serviços de saúde. Por outro lado, não sendo obrigatória a notificação de casos isolados, o conhecimento restringe-se ao número de casos internados nos hospitais públicos. A mortalidade infantil no Brasil, embora apresentando-se em declínio, ainda tem nas doenças diarréicas uma importante causa. As diarréias ocupam sistematicamente o 2º ou 3º lugar, superadas pelas afecções do período perinatal e infecções respiratórias.
Aspectos Clínicos
Trata-se de uma Sd. de etiologia diversificada, que tem como manifestação mais evidente
acima de de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência. Com freqüência é acompanhada de vômito, febre e dor abdominal. Em alguns casos há presença de muco e sangue. No geral, é auto-limitada, com duração entre 2-14 dias. As formas variam desde leves até graves. Nessas, a desidratação e os distúrbios eletrolíticos determinam a maior letalidade, principalmente quando associados à desnutrição prévia. Agentes etiológicos:Bactérias:
Vírus:
Parasitas:
Diagnóstico Diferencial
A análise de casos isolados de diarréia, no geral, não faculta o Dx clínico conclusivo do agente causal. A definição da etiologia, a rigor, só é feita através de análises laboratoriais. Deve-se ressaltar que grande número de casos de diarréia ocorre por causas bacterianas, cujo isolamento do agente nem sempre é fácil.
Por outro lado, em surtos, após a descoberta da via de transmissão e das fontes de contaminação, além da caracterização clínica e identificação do agente etiológico nos casos iniciais, pode-se fazer o Dx pelo critério clínico-epidemiológico. Esse critério evita a repetição de exames laboratoriais excessivos, apenas confirmadores do Dx.
Complicações
As complicações mais freqüentes decorrem da desidratação e do desequilíbrio eletrolítico, em conseqüência de uma diarréia não tratada adequada e precocemente podendo, inclusive, levar ao óbito. A médio e longo prazos, os episódios repetidos podem decretar uma desnutrição crônica, com retardo do desenvolvimento estato-ponderal e, até mesmo, da evolução intelectual.
Tratamento
Após a introdução do tratamento e prevenção da desidratação com o uso de SRO, a terapêutica tornou-se bastante simplificada propiciando resultados amplamente satisfatórios. Essa prática seguramente foi definitiva para o declínio observado na mortalidade por diarréia/desidratação. A determinação do esquema de tratamento adequado independe do isolamento do agente etiológico, já que o objetivo da terapêutica é reidratar ou evitar a diarréia. Para prevenir a desidratação não é necessário utilizar o esquema terapêutico rígido. Após a avaliação, a conduta indicada é a seguinte:
ingestão de líquidos como soro caseiro, sopas, cozimentos e sucos;
após cada evacuação SRO;
manter a alimentação habitual, em especial o leite materno
orientar a família no reconhecimento de sinais de desidratação.
Quando houver
sinais de desidratação, é indicado:administrar SRO de acordo com a sede;
as crianças amamentadas devem continuar recebendo leite materno, junto com SRO. Outro tipo de alimentação deve ser suspenso enquanto perdurarem os sinais de desidratação
em caos dee vômitos:
manter a criança na US até a reidratação;
o uso de SNG é indicado apenas em casos de perda de peso após as 2 primeiras horas de SRO, vômitos persistentes, distensão abdominal com ruídos hidroaéreos presentes ou dificuldade de ingestão. Nesses casos, administrar 20-30 ml/Kg/hora de SRO.
A
hidratação parenteral está indicada nos casos de:alteração da consciência
vômitos persistentes, mesmo com uso de SNG
a criança não ganha ou perde peso com a hidratação por SNG
íleo paralítico
A solução recomendada na hidratação parenteral para desidratação grave é:
abaixo de
acima de
Os ATB devem ser utilizados apenas na disenteria e nos casos graves de cólera. Recomenda-se utilizar Smx-Tmp nos casos de disenteria. Na cólera grave a indicação é de Tetraciclina para
acima de 8 anos. Para abaixo de 8 anos, usa-se Smx-Tmp. Quando há identificação de Giardia lamblia ou Entamoeba hystolitica, é recomendado Metronidazol.
Diagnóstico Laboratorial
Embora não seja necessário na rotina do tratamento das diarréias, em situações especiais de surtos ou epidemias deve-se proceder à identificação do agente etiológico objetivando não o tratamento individual, mais sim o da fonte de infecção. Esse procedimento baseia-se em exames parasitológicos de fezes, culturas, bacteriologia e provas sorológicas. Muitas vezes, como parte da investigação, na tentativa de identificar o agente e a fonte de contaminação, é necessário o exame da água e de alimentos suspeitos.
Notificação
Considerada a magnitude das diarréias, evidencia-se improdutiva a tentativa de manter sobre elas uma vigilância que envolva a notificação de casos isolados e a investigação constante de casos
. A estratégia que se apresenta mais viável é a de efetuar a medição contínua da ocorrência das diarréias, em termos numéricos.
Investigação Epidemiológica
A investigação implica no levantamento de todas as variáveis capazes de conduzir à detecção da fonte de contaminação. Deve ser colhido material para exame laboratorial, para que se isole o agente etiológico responsável pelo episódio. Essa amostra deve ser colhida preferencialmente dos casos mais graves e mais característicos. Da mesma forma, deve-se tentar delimitar a área de ocorrência dos casos e a distribuição temporal segundo o início dos sintomas.
Definição de Caso
Será considerado um caso de diarréia aguda aquele em que o indivíduo apresentar fezes cuja consistência revele
acima de conteúdo líquido (pastosas, aquosas), com acima de dejeções diárias e duração abaixo de a 2 semanas.
Conduta Frente a um Caso
Início imediato da SRO após avaliação inicial do paciente;
Encaminhamento para nível secundário ou terciário se for um caso grave;
Avaliar a possibilidade de poder se tratar de cólera;
Coleta de material para exame laboratorial nas situações indicadas;
Orientações ao paciente ou familiares.
Conduta Frente a um Surto
Embora de características endêmicas, a diarréia pode apresentar casos relacionados entre si, seja quanto à clínica, à distribuição espaço-temporal, ou à provável fonte de infecção, as quais são capazes de caracterizar um surto. Nesse processo, o objetivo principal é caracterizar o agravo e definir sua fonte de infecção, de modo a propor-se manobras que interrompam a cadeia de transmissão.
Medidas de Controle
Estas medidas podem ser gerais, e passam pela melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar. Tais orientações, no entanto, são muito amplas e impossíveis de serem aplicadas imediatamente em áreas extensas. Sabe-se que os processos de implantação do saneamento básico e da mudança de algumas condutas populares não parecem estar próximos de ocorrer satisfatoriamente. Assim sendo, é necessário que os serviços sejam capazes de orientar, em paralelo, algumas ações mais específicas e menos onerosas, já que os recursos são escassos na área de saúde pública. Deve ser definida a prioridade tanto em relação aos locais, quanto ao tipo de atividade a ser desenvolvida. Essas propostas passam pela vigilância mais apurada dos locais de uso coletivo, tais como colégios, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, o que torna suas populações mais vulneráveis às doenças transmissíveis.
Outras populações específicas, como os viajantes, também se apresentam com suscetibilidade
acima de a diarréia. Esses locais e populações devem receber atenção especial, envolvendo inspeções sanitárias e orientações sobre procedimentos de prevenção e controle da circulação de enteropatógenos. É fundamental que se estimule o uso de água tratada através de sistemas coletivos ou domiciliares, além de difundir os procedimentos capazes de melhorar a qualidade dos alimentos consumidos pela população. No caso de crianças de creches, deve ser feito o isolamento daquelas que apresentem diarréia, os cuidados entéricos devem ser intensificados, além de reforçadas as orientações às manipuladoras e às mães.Considerando a importância das causas alimentares na diarréia das crianças menores, é fundamental o incentivo ao prolongamento do aleitamento materno que confere elevada proteção a este grupo populacional.


