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Funasa: Difteria
Aspectos Epidemiológicos
A difteria ou crupe é uma doença aguda, causada por bacilo toxigênico que se aloja nas amígdalas, faringe, laringe, nariz e até na pele. É caracterizada por placas pseudomembranosas. Embora seja uma patologia passível de controle, ainda constitui-se problema de saúde pública no Brasil em virtude das ß coberturas vacinais. Apesar disso, observa-se uma ß dos casos devido a vacinação antidiftérica.
Agente Etiológico
Bacilo Gram-positivo, Corynebacterium diphtheriae, produtor da toxina diftérica.
Reservatório
É o próprio doente ou portador, sendo esse último mais importante na disseminação do bacilo, pela sua maior freqüência na comunidade e por ser assintomático.
Modo de Transmissão
O C. diphtheriae se transmite por contágio direto através das secreções de rinofaringe. A transmissão indireta, através de objetos, também pode ocorrer embora menos freqüentemente.
Período de Incubação
Em geral de 1-6 dias, podendo ser mais longo.
Período de Transmissibilidade
Em média até 2 semanas após o início da doença. ATB erradica o bacilo diftérico da orofaringe, 24-48h após a sua introdução. O portador é extremamente importante na disseminação da difteria e pode eliminar o bacilo por mais de 6 meses.
Suscetibilidade e Imunidade
A suscetibilidade é geral. A imunidade pode ser naturalmente adquirida pela passagem de anticorpos maternos via transplacentária ou através de infecções inaparentes. A imunidade também pode ser ativa, adquirida por vacinação com toxóide diftérico.
A proteção conferida pelo SAD é temporária e de curta duração (2 semanas). A doença não confere imunidade permanente, devendo o doente continuar seu esquema de vacinação após alta hospitalar.
Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade
A difteria ocorre durante o ano todo, observando-se Ý incidência nos meses frios, devido à aglomeração em ambientes fechados. Ela pode afetar todas as pessoas não imunizadas.
O grupo etário que apresenta maior incidência é o das crianças pré-escolares (2-7 anos), quando não imunizadas com DPT. Em situações nas quais as coberturas com DPT são ß 80%, pode haver deslocamento da incidência para outras faixas etárias.
A difteria continua sendo uma doença de importância nos países do 3° Mundo. Porém, onde a imunização antidiftérica é sistemática, é rara. É mais freqüente em áreas com ß condições sócio-econômicas, onde a promiscuidade é Ý e a cobertura vacinal é ß . Os casos de difteria vem ß em decorrência do Ý da vacinação com DPT. A incidência ainda é Ý . A letalidade varia de 5-10%.
Aspectos Clínicos
A manifestação clínica típica são as placas pseudomembranosas branco-acinzentadas, que se instalam nas amígdalas e invadem estruturas vizinhas. Essas placas podem se localizar na faringe, laringe e fossas nasais, sendo observadas até na conjuntiva, pele, conduto auditivo, vulva, pênis e cordão umbilical. Clinicamente a doença se manifesta por ß estado geral, prostração, palidez; a dor de garganta é discreta, e a febre é ß . Nos casos graves, há intenso edema do pescoço, com gânglios linfáticos Ý (pescoço taurino). Dependendo do tamanho e localização da placa pseudomembranosa, pode ocorrer asfixia mecânica, exigindo imediata traqueostomia.
Formas Clínicas
Angina Diftérica: é a forma mais comum. Inicialmente se observa um discreto Ý das amígdalas, além de hiperemia da faringe. Em seguida ocorre a formação das pseudomembranas aderentes e invasivas. Essas placas se estendem pelas amígdalas recobrindo-as, e invadem estruturas vizinhas, podendo ser observadas nos pilares anteriores, úvula, palato mole e faringe. O estado geral do paciente agrava-se com a evolução da doença, em virtude da progressão das pseudomembranas e da absorção cada vez maior de toxina.
Rinite Diftérica:
Laringite Diftérica:
Difteria Hipertóxica (Difteria Maligna):
Complicações
As complicações podem ocorrer desde o início da doença até a 6° -8º semana, quando os sintomas iniciais já desapareceram.
Miocárdicas: são as complicações responsáveis pelo maior número de óbitos
Neurológicas:
Renais:
Prognóstico
A difteria é uma doença grave que necessita de assistência imediata. Fatores de mau prognóstico: tempo da doença sem tratamento; presença de edema periganglionar; manifestações hemorrágicas; placas extensas na orofaringe; miocardite precoce e insuficiência renal.
Tratamento
Soro Antidiftérico (SAD): A medida terapêutica de maior valor na difteria é o SAD, cuja finalidade é inativar a toxina circulante o mais rapidamente possível. O SAD não tem ação sobre a toxina já impregnada no tecido. Por isso, seu uso deve ser feito o mais precocemente possível, frente a uma suspeita clínica. Como o SAD tem origem heteróloga (cavalo), sua administração pode causar reações alérgicas, sendo necessário a realização de provas de sensibilidade antes do seu emprego. As doses de SAD não dependem do peso e da idade do paciente e sim da gravidade e tempo da doença.
ATB: os ATBs devem ser considerados como medida auxiliar da terapia específica, objetivando interromper a produção de exotoxina pela destruição dos bacilos diftéricos
Sintomático:
Tratamento das Complicações Diftéricas:
Insuficiência Respiratória: Quando houver comprometimento respiratório nos casos leves e moderados de laringite, pode-se usar dexametasona como medida antidematosa; porém, se apresentar quadro de insuficiência respiratória estabelecida, a traqueostomia deverá ser feita.
Miocardite: Na miocardite usa-se furosemida, dieta hipossódica, restrição hídrica, repouso, digital e antiarrítmicos. Nos casos que apresentarem BAV total ou bloqueios de ramos associados a distúrbio de condução, utiliza-se a implantação de marcapasso cardíaco.
Polineurite:
Insuficiência Renal Aguda:
Diagnóstico Laboratorial
Bacterioscopia: não tem valor no Dx da difteria.
Isolamento do Bacilo
Investigação Epidemiológica
Devido ao ß período de incubação e Ý transmissibilidade, a investigação dos casos e comunicantes deverá ter início imediatamente após a notificação do caso suspeito de difteria.
Caso e Comunicantes: A investigação epidemiológica visará, além da aplicação das medidas de controle, a descoberta de casos entre os comunicantes. A detecção precoce dos casos é importante, uma vez que a instituição da terapêutica específica (SAD e ATB), o mais precocemente possível, ß significantemente a letalidade da doença.
Surtos e Epidemias: requerem uma investigação imediata dos comunicantes.
Definição de Caso
Suspeito: é a pessoa que, independente do estado vacinal, apresente quadro agudo de infecção da orofaringe, com placa branco-acizentada ocupando as amígdalas, com ß estado geral e febre moderada.
Confirmado:
Laboratorialmente:
todo caso com manifestações clínicas, isolamento de bacilo diftérico e provas de toxigenicidade (+).
todo caso com quadro compatível e cultura (+) para bacilo diftérico, mesmo com provas toxigênicas (-).
Clínico-epidemiológico:
os exames laboratoriais são (-), mas o caso apresenta suspeita clínica de difteria e é comunicante de outro caso confirmado laboratorial ou clinicamente.
os exames laboratoriais são (-), o caso apresenta suspeita clínica e se isola o C. diphtheriae de um comunicante íntimo, mesmo que assintomático.
Clinicamente
placas em pilares, úvula, amígdalas, traquéia ou laringe.
simultaneamente, placas em amígdalas, toxemia importante, febre ß desde o início do quadro e evolução arrastada.
miocardite ou paralisia de nervos periféricos, que pode aparecer desde o início dos sintomas sugestivos de difteria (miocardite) ou até semanas após.
óbito do paciente que apresentou ß estado geral, em tratamento de amigdalite e no qual se constata miocardite.
Medidas de Controle
Vacinação: A medida de controle mais segura e efetiva é a imunização da população com toxóide diftérico. Podem adquirir a infecção tanto os indivíduos com imunização completa, como aqueles com imunização inadequada. Entretanto, os indivíduos adequadamente imunizados neutralizarão a toxina produzida pelo bacilo diftérico, que é responsável pelas manifestações clínicas da doença.
Sistemática:

Vacinação de Bloqueio: após a descoberta de um caso suspeito de difteria, deve ser feita a visita domiciliar para vacinação de todos os contatos não-vacinados ou inadequadamente vacinados. As crianças e adultos que estiverem com esquema de vacinação em dia, só deverão receber uma dose de reforço se receberam a última dose há mais de 5 anos. A ocorrência de um surto exige, além da vacinação imediata dos comunicantes com situação vacinal inadequada (ß os suscetíveis), uma investigação da ocorrência e situação vacinal da população atingida, com conseqüente extensão da vacinação a todos os expostos ao risco de adoecer.
Controle dos Comunicantes:
Detecção de Portadores: A identificação dos portadores de difteria é extremamente importante para o controle da disseminação da doença, uma vez que esses casos são mais freqüentes do que os casos clínicos e são responsáveis pela transmissão da maioria dos casos de difteria na comunidade.
Quimioprofilaxia dos Portadores: Uma vez identificados, os portadores devem receber ATB
Isolamento: deve persistir até que 2 culturas de exsudato de nasofaringe não revelem bacilos diftéricos. Os casos suspeitos de difteria devem ser hospitalizados.
Desinfecção:
Imunização Após Alta: Como a difteria nem sempre confere imunidade e a reincidência não é incomum, os doentes serão considerados suscetíveis e devem ser imunizados após a alta.
